Short Trip: Stonehenge ou em busca das pedras gigantes

Quando Cristo nem pensava em nascer, alguns habitantes da Grã-Bretanha tiveram a ideia de carregar pedras, que variam de 4 a 25 toneladas, pra Salisbury, (aprendemos que pronuncia SALsbury, esquece a letra I) uma cidadezinha no sul de UK.  Formando assim círculos concêntricos de pedras chamado Stonehenge (stone: pedra e hencg: eixo, no inglês arcaico).

As famosas bonitinhas

As famosas bonitinhas

pequenininhas, encima da minha cabeça

pequenininhas, encima da minha cabeça

Pois bem, esse foi o destino que escolhemos pra viajar, Maria e eu, eu e Maria, minha Mary Poppins, roommate, abuelita e amiga. Chegamos no aeroporto de Bristol no dia 22 de junho pela manhã e de lá pegamos um trem para Salisbury , que leva cerca de uma hora. Assim que chegamos, descobrimos um pequeno detalhe. Excepcionalmente naquele dia nao havia ônibus turístico algum que nos levasse para conhecer Stonehenge.

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Eu e Mary

Eu e Mary

 

O motivo? O solstício de verão no hemisfério norte ocorre no dia 21 de junho, e é também o dia mais longo do ano. Nesse dia o Sol nasce exatamente sobre a pedra principal de Stonehenge, e por essa razão Druídas, Wiccans, neo-Hippies e simpatizantes tem como tradição reunirem-se para celebrar o fenômeno. A festa deste ano reuniu mais de 30 mil pessoas e durou até a manhã do dia 22 de junho, horas antes de nos darmos conta que chegamos tarde demais pra festa que nem sequer sabíamos.

solstício em Stonehenge

solstício em Stonehenge

“Que voy conocer Stonehenge o sí o sí”, bateu o pé a espanhola arretada. Na falta dos ônibus turísticos comuns que fazem o trajeto para Salisbury e Old Sarum ida e volta por £26, negociamos com um taxista por £40, ida e volta também, para conhecer os dois pontos.

Papo vai, papo vem, o taxista nos pergunta o que fazíamos em Dublin. Maria explicou sobre ela e eu resumi que tinha vindo com o objetivo de melhorar o inglês. ” Did you choose Dublin to learn English? Are you craaaaazy?”…Já comentei aqui a richa histórica entre britânicos e irlandeses, colonizadores e ex-colonizados, mas a brincadeira tinha muito mais a ver com a dificuldade que é entender o acento irish e fui obrigada a rir e concordar.

Ao lado da rodovia, depois de mais de 15 min de caminhada, pequenas pedrinhas vistas de longe tornaram-se as ilustres gigantes que são, quando finalmente pudemos vê-las de perto. É um exercício de perspectiva. E sem dúvida, um daqueles momentos em que voce se sente presenciando a História. Milhares de anos da formação daquele monumento até o segundo em que você se permitiu estar ali.

 

casal no caminho de Stonehenge

casal no caminho de Stonehenge

Eu e Maria

Eu e Maria

Maria no caminho para Stonehenge

Maria no caminho para Stonehenge

cachorrinho de um dos visitantes da noite anterior esperando seus donos acordarem pra ir embora

cachorrinho de um dos visitantes da noite anterior esperando seus donos acordarem pra ir embora

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Li depois da viagem um artigo do NY Times onde pesquisadores descobriram que as pedras não teriam sido escolhidas ao acaso, mas de acordo com o som que emitem, um ruído parecido com o som metálico de um sino. Não explica o mistério de porquê a estrutura foi construída, mas é um  indício de que as pedras podem ter sido colocadas ali para sediar festividades desde o princípio.

OLD SARUM e CATEDRAL DE SALISBURY

Depois de Stonehenge seguimos para Old Sarum, uma colina com resquícios de ocupação em Salisbury de 3000 a.C. Lá você encontra as ruínas de um castelo típico dos desenhos infantis quando uma vala circunda o topo do castelo e o único acesso é atraves de uma ponte. Já imaginei crocodilos medievais vigiando o que um dia foi o ponto de partida da cidade, mas se teve crocodilo ou não já não posso afirmar. Esse buraco ao redor do terreno foi na verdade feito pelos saxões para se defenderem das invasões de vikings e normânicos.

Old Sarum vista de cima

Old Sarum vista de cima

Ao lado do castelo estão as ruínas da antiga catedral, que lembram as marcações no chão do filme Dogville, como quem vê apenas demarcado no solo o que um dia teria sido o salão principal, outro cômodo, escadas de acesso. Como o dia estava lindo, aproveitamos pra descansar na sombra de uma das árvores na colina, até percebermos que estava infestada de aranhas e resolvemos seguir para a cidade.

Old Sarum

Old Sarum

Old Sarum

Old Sarum

Old Sarum

Old Sarum

Pedindo informação aqui e ali, chegamos na atual Catedral de Salisbury, famosa por conter a maior parte das 17 cópias da Carta Magna. Ok, se você assim como eu não é um historiador, talvez assim como eu também, não lembra o que é uma carta magna, então assumo minha ignorância e divido minha minipesquisinha contigo 😉 A Carta Magna é um documento que de modo geral impediu a continuidade do poder absoluto na Idade Média, reconhecendo que os reis estavam sujeitos à uma lei. Um pontapé para um processo que nos levaria a criação de constituições.

 

Eu e Maria na Catedral de Salisbuty

Eu e Maria na Catedral de Salisbuty

jardim da Catedral de Salisbury

jardim da Catedral de Salisbury

Saímos de Salisbury, floridinha, bonitinha com cara de cidade de interior e pessoas simpáticas que te dão informação sorrindo e vão embora sorrindo, obviamente apaixonadas. Uma delícia de viagem, de um destino que muito provavelmente não teria feito se não fosse minha abuelita a me propor quando tem seus siricuticos de querer viajar. Me leve no guarda-chuva sempre que quiser, Mary Poppins!

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Nova vista, novos ares

nova casa

nova casa

Nos últimos dias fui murchando, murchando até ficar pequenininha, até entrar no meu casulo como entro as vezes. Aí tive um papo comigo mesmo e comecei a me dar conta de várias coisas.

É que achei que tinha entrado em um ape com um ambiente legal e percebi que era uma furada. O casal não parava de brigar e uma semana depois que entrei, “convidaram” eu e minha roommate a nos mudar, porque eles iriam deixar o apartamento, depois de brigas épicas. Três dias depois, o cara do casal resolveu voltar atrás e nos propôs ficar. Só que nesse meio tempo, eu e a M. (minha roommate), fizemos um achado!

É que encontramos uma espécie de república, cheia de estrangeiros, com um quartinho bem maior e lindo pra gente dividir e com um banheiro só nosso. E de quebra, o casarão tem cozinha, sala de jantar de estar e um jardim, tudo compartilhado com vários outros estrangeiros. Só hoje encontrei pela casa uma coreana, uma francesa e uma finlandesa. Mas moram aqui, por volta de 20 pessoas.

Acontece que desde que recusamos o convite do cara do outro ape, justo ele que não parava de falar do nada tornou-se monossilábico. Aí, vieram pequenas retaliações, um dia o boiler que esquenta a água da casa foi misteriosamente desligado bem quando eu esperava pra tomar banho. O papel higiênico também deixou de existir no banheiro.

Apesar da namorada do cara sempre ter me tratado bem, o clima da casa foi se tornando cada vez mais desagradável. Porque com as brigas deselegantérrimas que eles tiveram, se era pra alguém ficar de cara feia, era pra ser eu e a M., isso sim!

Hoje, além de fazer as malas pra mudar pela quarta vez, reavaliei porque vinha me sentindo tão mal. E percebi que não era só pelo ambiente em que estava, mas por estar só e principalmente, porque ainda não encontrei o lado legal disso. E gostar de estar só, envolve muitas coisas. Envolve auto-estima, segurança de si mesma, envolve menos dependência emocional e claro, muito, mas muito autoconhecimento.

Então, resolvi cuidar melhor de mim, gostar mais de mim, e valorizar mais meus pequenos passos, que me fizeram chegar até aqui. Porque eu me cobro tanto, tanto, que só vejo os degraus que ainda tenho pra subir e esqueço de olhar pra trás, com um pouquinho de orgulho, mas daquele orgulho bom que te faz valorizar o que você era e o que você se tornou.

“Ué, mas você não pensou nisso antes?” E respondo cá com meus botões que não. Sabia que essa viagem me exigiria muito, mas tem certas coisas que você só sente vivendo. Aprendi a ser assim, quando sobra covardia, prendo a respiração e me jogo, porque pensar demais poderia me fazer desistir de vez.

Tenho pra mim que de experiências ruins, muitas vezes nascem coisas boas. A minha ida pra aquele ape não foi em vão, conheci a M. que é uma mulher muito do bem, com uma cabeça boa, fácil de conviver e que me disse pra acreditar em Jesus de Las Penas, que é lá do povoado dela, da Espanha ;). Pois bem, novo quarto, nova vista, novos ares.

Procura-se moradia Parte IV

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Ele: – Fulana, posso entrar aqui? Ela está me batendo.

Ela: – Fulana, fala pra ele devolver a senha do meu facebook!

A Fulana no caso é minha roommate, assustadíssima com o papel de mãe que tentaram fazer com que encarnasse. Poderia ser a briga de crianças, mas pasmem, são dois adultos. Sim, os mesmos do anúncio que respondi e vim visitar, não tem nem uma semana. O casal dizia procurar uma pessoa tranquila para uma casa harmônica, que quisesse ficar por um bom tempo. A-ham.

Em menos de uma semana aqui, lembro de um dia só ter dormido uma vez sem ouvir bate boca. Convenhamos, casais brigam, relacionamentos se desfazem, mas se você resolve dividir um apartamento com mais pessoas, um pouquinho de bom senso vai bem. Sim, idade não tem nada a ver com maturidade e tenho dito.

Aí ontem depois desse show a parte, que durou bem mais do que o exemplo que citei, avisaram eu e minha roommate que o apartamento será entregue e que temos que seguir cada um o seu rumo.

C’est la vie, por que não fazer as malas pela quarta vez?

Um cantinho pra chamar de meu

Maria Lola no colo

Maria Lola no colo

Porque nos últimos dias, se eu já valorizava, passei a valorizar ainda mais a importância de ter um lugar aqui, que seja o mais próximo de um lar. Sim, um lugar que eu pudesse finalmente desfazer minhas malas e pensar em uma rotina de estudos, enfim, dos objetivos traçados.

Depois de muito procurar, ontem me mudei para Dublin 8. Estou dividindo o apartamento com um casal muito gentil e minha roommate é uma espanhola, gente finíssima, que fala inglês super bem. Estou adorando praticar meu macarrônico inglês com ela e quando não encontramos a palavra certa em inglês, partimos pro portunhol. ¿Sí, porque no?

Era pra ser, porque eu andava feito mala de louco de uma residência pra outra e deixei de vir conhecer a vaga anunciada pelo casal duas vezes por conta de imprevistos. Aí, sem saber, acabei respondendo um anúncio da moça que estava passando a vaga e eis que… Tcharans, fui perceber que se tratava da mesma vaga que eu não tinha conseguido vir visitar antes.

Isso depois de me deparar com cada vaga! Minha nossa senhora dos cantinhos bizarros…Cada república, cada superlotação de beliche! Naim, naim, naim, muito obrigada, preciso só de um ambiente tranquilo, um cantinho assim pra chamar de meu, mesmo que não haja canto melhor que estar ao lado dele e com a gatinha Lola se afofando no meu colo.

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