Sobre estar só e bem

  Depois de um ano já não é mais novidade. Sempre há algo novo, claro, mas o país já não parece outro planeta, a cultura diferente parece mais assimilável e o idioma ainda que sempre tenha algo a ensinar já te permite manter uma conversa, mesmo que o pub cheio e o som ambiente desafiem os ouvidos. 

Depois de um tempo você já fez grandes amizades e abraçou alguns deles nas despedidas da vida que um intercâmbio apenas torna mais recorrente. Vai o amigo, fica o imenso carinho por ter tido a oportunidade de conhecê-lo, afeto que agora se acumula a outros que também precisam ser mantidos a distância. 

É tempo de encarar a saudade com mais leveza, o skype com a família já não é uma vez por semana, acontece quando os lados podem ou se encontram online. Os grupos de amizade e os amigos nas conversas por whatsapp não precisam ser respondidos apressadamente. Os pontinhos vermelhos das conversas em espera podem sim esperar. Não é descaso, nem desencontro muito menos desafeto. O amor continua no mesmo lugar é só menos apego porque um dos pés que ficou no Brasil passa a pisar firme em outro continente. É preciso estar onde teus pés te levaram e deixar que a mente exercite viver o agora.

É tempo de estar só e aprender a usufruir bem do próprio tempo. Algo que só se faz enfrentando o dissabor da solidão, um exercício diário de você com você mesmo, vezes árduo, vezes melancólico, até que no vira e mexe dos ponteiros se mostra doce. É que se ocupar de preencher os próprios vazios acalenta a alma e é um ganho pessoal. Como quem depois de percorrer grandes distâncias físicas, pouco a pouco desbrava um universo particular.

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