Sobre estar só e bem

  Depois de um ano já não é mais novidade. Sempre há algo novo, claro, mas o país já não parece outro planeta, a cultura diferente parece mais assimilável e o idioma ainda que sempre tenha algo a ensinar já te permite manter uma conversa, mesmo que o pub cheio e o som ambiente desafiem os ouvidos. 

Depois de um tempo você já fez grandes amizades e abraçou alguns deles nas despedidas da vida que um intercâmbio apenas torna mais recorrente. Vai o amigo, fica o imenso carinho por ter tido a oportunidade de conhecê-lo, afeto que agora se acumula a outros que também precisam ser mantidos a distância. 

É tempo de encarar a saudade com mais leveza, o skype com a família já não é uma vez por semana, acontece quando os lados podem ou se encontram online. Os grupos de amizade e os amigos nas conversas por whatsapp não precisam ser respondidos apressadamente. Os pontinhos vermelhos das conversas em espera podem sim esperar. Não é descaso, nem desencontro muito menos desafeto. O amor continua no mesmo lugar é só menos apego porque um dos pés que ficou no Brasil passa a pisar firme em outro continente. É preciso estar onde teus pés te levaram e deixar que a mente exercite viver o agora.

É tempo de estar só e aprender a usufruir bem do próprio tempo. Algo que só se faz enfrentando o dissabor da solidão, um exercício diário de você com você mesmo, vezes árduo, vezes melancólico, até que no vira e mexe dos ponteiros se mostra doce. É que se ocupar de preencher os próprios vazios acalenta a alma e é um ganho pessoal. Como quem depois de percorrer grandes distâncias físicas, pouco a pouco desbrava um universo particular.

Colcha de retalhos

Abaixo recortei pequenos carinhos que vim recebendo nos últimos tempos. Uma colcha de retalhos feita de frases e afagos que superam a distância, cruzam o oceano e chegam aqui nessa ilhazinha que inventei de me refugiar. A quem se importa, obrigada por se importar, vou bem e tô ficando perita em ficar muito melhor!

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A promessa

Logo depois de alguém saber que vou viajar, a pergunta seguinte geralmente é:

– Ah, mas e o Filipe?

Normal, estamos juntos há mais de quatro anos. O engraçado mesmo são as reações logo depois que conto que ele vai ficar (a princípio).

– Nossa, mas como vocês vão fazer?

Eu: – Ué, namorar a distância. Não é fácil mas é o jeito. (fazendo a forte).

– Vocês vão viver um relacionamento aberto? (juro, já ouvi).

Eu: – Não, não vamos viver um relacionamento aberto. (Nada contra, mas sabemos que não temos cacife pra tanta atitude).

– Mas ele vai depois?

Eu: Bom, ele costuma dizer que se eu arranjar um puta emprego, ele vai pra ser sustentado. (Rá! Ele diz isso mesmo).

É claro que sabemos que não vai ser fácil, já vivi muitas crises por achar que posso estar destruindo o meu relacionamento, posso estar perdendo ele…enfim, acabo de sair de uma…Mas depois percebo que por ser tão paranóica, eu quase destruo tudo mesmo. Muitas e muitas conversas depois, nos fizeram perceber que estamos em momentos diferentes da vida e que nem por isso temos que seguir cada um pra um lado.

Eu p-r-e-c-i-s-o aprender inglês e adoraria viver essa experiência, porque nunca tive oportunidade antes, porque se hoje posso bancar, agora é a hora. Já o Filipe fala inglês fluente e no momento quer mais é se estabelecer profissionalmente. Nada impede que ele vá mais pra frente, mas o Filipe é do tipo que não faz promessas que sabe que pode não cumprir. Pois prefiro assim.

Não, não sabemos se vamos aguentar, não sabemos se a saudade vai apertar demais, ou se vai aparecer alguém na minha vida ou na dele ou se vamos simplesmente cansar um do outro. Suposições nessa altura do campeonato não ajudam e vamos combinar que rompimentos acontecem e podem acontecer até mesmo debaixo do mesmo teto. O que sabemos é que não vai ser fácil, mas queremos tentar juntos.

Mas vamos à promessa. O que o Filipe sabe é que um dia eu volto…Afinal, tudo o que tenho de meu, fica na mesma kit que dividimos desde que vim pra São Paulo. E ele sabe que além de me esperar, além de cuidar bem da Lolinha (nossa gatenha), vai ter que providenciar o novo membro do nosso clã.

É que uma vez, voando pra Florianópolis ou Joinville, não lembro. Whatever (uau, como eu falo inglês…aham…vem cumigo)…eu comecei a implorar o bendito do pug que quero tanto. Não porque é lindo, sei que é feinho e que de tão feinho fica bonito, não porque é hype, quero porque quero um cachorro. Porque amo Maria Lola e toda a sua imponência, mas preciso da submissão e parceria que só os cachorros tem! E tenho certeza que Lolinha vai amar ter um parceiro pra caçar ratos de mentira. Mas vamos a cena:

Eu: – Fi, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor…

Filipe: – Ah Lu, você sabe que não é fácil, o apartamento é pequeno, já temos a Lola…

Eu: – por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor…depois que eu voltar de viagem, vai?

Filipe: – Tá bom!

Eu: – AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! A Lola vai amar, vai ser lindo, você vai ver! Promete?

Filipe: – Prometo! (ELE PROMETEU, em caixa alta mesmo)

Eu: – ÊÊÊ!!!

Filipe: – Mas só se o Brasil ganhar a Copa!

Enfim, ele prometeu antes de inventar essa condição ridííícula, só porque minutos antes eu tinha dito que nem dava vontade de torcer pro Brasil na Copa, depois de ler aquele perfil do Ricardo Teixeira que a Piaui fez (e que por mais escroto que esse cara seja, tá super bem escrita).

Enfim, fica aqui registrada a verdade, nada mais que a verdade. Se tudo der certo, o digníssimo vai ter que ir me buscar no aeroporto com o Rocky na coleira (nome do pug até o momento).

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