Sobre estar só e bem

  Depois de um ano já não é mais novidade. Sempre há algo novo, claro, mas o país já não parece outro planeta, a cultura diferente parece mais assimilável e o idioma ainda que sempre tenha algo a ensinar já te permite manter uma conversa, mesmo que o pub cheio e o som ambiente desafiem os ouvidos. 

Depois de um tempo você já fez grandes amizades e abraçou alguns deles nas despedidas da vida que um intercâmbio apenas torna mais recorrente. Vai o amigo, fica o imenso carinho por ter tido a oportunidade de conhecê-lo, afeto que agora se acumula a outros que também precisam ser mantidos a distância. 

É tempo de encarar a saudade com mais leveza, o skype com a família já não é uma vez por semana, acontece quando os lados podem ou se encontram online. Os grupos de amizade e os amigos nas conversas por whatsapp não precisam ser respondidos apressadamente. Os pontinhos vermelhos das conversas em espera podem sim esperar. Não é descaso, nem desencontro muito menos desafeto. O amor continua no mesmo lugar é só menos apego porque um dos pés que ficou no Brasil passa a pisar firme em outro continente. É preciso estar onde teus pés te levaram e deixar que a mente exercite viver o agora.

É tempo de estar só e aprender a usufruir bem do próprio tempo. Algo que só se faz enfrentando o dissabor da solidão, um exercício diário de você com você mesmo, vezes árduo, vezes melancólico, até que no vira e mexe dos ponteiros se mostra doce. É que se ocupar de preencher os próprios vazios acalenta a alma e é um ganho pessoal. Como quem depois de percorrer grandes distâncias físicas, pouco a pouco desbrava um universo particular.

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Aproveitando o gancho do St. Patricks Day e os últimos dias bonitos que tem feito em Dublin com a chegada da primavera, eu e menina Carolina corremos rua fazendo vídeos pro quadro “Mulheres pelo mundo” do programa Mulheres, na TV Gazeta! Beijo Kátia Fonseeeeeeeca! Beijo Mamma Bruschetta!

Claro que não precisa me conhecer muito pra perceber que não sou um talento nato na frente das câmeras, já que desde as aulas de telejornalisno eu as evitava! Ainda sim, te cuida Kalinka Schutel! 

Mas fica aí um registro do nosso olhar, meu e da Caro e um pouquinho do muito que Dublin tem pra contar. Quem quiser encurtar caminho, pula pros 9:20 e assiste o nosso vídeo! 

Enquanto isso vou inserindo aqui os outros beijos que a edição cortou, brinks…

Beijo, Caro, amiga linda que essa cidade me fez conhecer (e o Miller também).

Um beijo pro meu pai, que teve a manhã de cortar os dedos no cortador de grama ontem, beijo pra minha mãe, que é a avó mais linda do norte do Paraná, beijo pra minha irmã e pro Léo, meu sobrinho-afilhado que ainda nem conheço mais já carrego no coração!

http://youtu.be/bksJxyaPa_U

Quando não é mais amor

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Das poucas certezas que já tive, sentir que te amava foi das mais bonitas. Por quatro anos vivi uma dessas histórias lindas e raras, sobre amar e ser amado. E do teu lado eu sempre quis fazer dar certo, do jeito que eu pude, com a cabeça e a maturidade que me cabiam. E eu sei que você também.
Dos clichês mais verdadeiros, foi que eu te conheci menina, prestes a fazer 21, e hoje tenho aprendido a me ver como mulher. Mulher de ninguém, mulher de mim mesma, alguém fruto das experiências vividas e de como as encara, um eterno processo, muitas vezes falho.
So sei que um dia você me disse pra ser feliz, passar bem. E eu obedeci. Mas diferente da música do Chico, não foi por revanchismo que eu me reergui. Foi por mim. Eu precisava mais que nunca aprender a cuidar – bem – de mim, tava na hora.
E em algum momento, o amor que era lindo, era vidro e se quebrou. Tempo passou e a gente bem tentou fazer disso uma vírgula, mas era mesmo um ponto final. E se hoje já não é, ninguém pode dizer que não foi forte, que não valeu a pena. Só que se transformou. Sobrou gratidão de sobra.
Como você bem disse em Bruxelas, as vezes o começo do fim não é falta de amor, mas como lidamos com as experiências que vivemos. Foi minha viagem? Foi a tua confusão? Fui eu? Foi você? Não procuremos culpados. Nos perdoemos. Das falhas faremos autoreflexões.
Quando penso em você, sorrio. E te desejo tanto bem. Vejo tudo invertido, virado do avesso, e sei que o tempo vai fazer seus reparos, nos dar a distância dos fatos, curar as dores do que não deu mais pra ser. Queria poder te contar que li esses dias, que os socos da vida as vezes nos agigantam. Pois bem, agigantemo-nos.

Um jeito de guardar algumas conversas e brincadeiras que fazem parte do fantástico mundo de Lucy, 4 anos.

 

Me:

– Maybe in the future.

She:

– Yes, maybe in the filtre.

Me:

– Future. (tentando deixar claro como se pronuncia)

She:

– FuLture. What’s the fuLture?

Começo a pensar numa resposta clara para uma menina de 4 anos.

Me:

– Well, future is something that will happen, for example the things that will happen tomorrow.

She:

– What will happen tomorrow?

 

She:

– I want a toast.

Me:

– I think you forgot a word…

She:

– Pleeeeeeeeeaaaaseeee (o please mais longo e sorridente que se tem notícia)

Me:

– Nice.

Enquanto isso, Anna sobe por cima dela e duas crianças rolam no chão alucinadamente.

She:

– Get out, Anna. Get out.

Me:

– Lucy it’s not polite say “get out”.

She:

– Anna, please, get out!

 

She:

– I want you stay at my home tonight.

Me:

-But, where I can sleep? Can I sleep in your bed?

She:

– Yes, you can!

Me:

– But is so squeezed to us.

Tentando achar uma desculpa enquanto ela tem uma grande ideia.

She:

– I know! You can sleep on mummy and daddy’s bed.

 

Playing:

Can you pretend that you are a good girl and I am a lost cat and you have to find me?
Can you pretend that you are the Mummy unicorn and I am a little unicorn and you have to take care of me?
Can you pretend that you are a Mummy cow and I am a little cow and you have to wait while I am borning from an egg?

Tempo de agradecer

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O tempo aqui eu contava em meses, no início apressada como quem não via a hora de voltar pra casa. Aos poucos Dublin foi se tornando querida pra mim, uma casa, um lar.

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Hoje completo um ano na Irlanda o que significa também um ano fora do Brasil. Um ano sem o convívio com amigos, sem poder encontrar minha irmã de tempos em tempos, sem rever meus pais com quem me reconciliei depois de anos de rompimento.

Lembro que entre todos os devaneios de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas, a frase que mais me marcou desse livro foi: “o que a vida quer da gente é coragem”. E cada um sabe onde ela lhe pede.

Cheguei no outono passado, dava 4:30 da tarde e já estava tudo escuro. Não era só a cidade estranha, mas a língua, dava medo arriscar o inglês, frustrava muito não entender, não ser entendida. Mesmo que a infraestrutura, transporte público, educação no trânsito, problemas sociais aqui sejam mesmo de primeiro mundo, eu só conseguia me sentir perdida, uma estranha no ninho. Faltava tempo e boa vontade da minha parte pra encontrar a beleza em tudo o que me parecia pouco familiar.

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Vim pra estudar inglês, e nos quatro primeiros meses só fiz isso, numa rotina de pelo menos quatro horas na escola e mais uma a duas horas em casa, entre homeworks e estudos por contra própria. Um revival da gordinha CDF que fui nos tempos da 4ªD. Ok, se era a 4ªD mesmo, nem a Amanda e a Ju, minhas amigas da velha guarda vão lembrar.

Depois desse tempo, passei a me sentir mais confiante e senti falta de poder praticar mais o inglês, não só na sala de aula em conversações previsíveis. Então tava na hora de ir trabalhar, mas por aqui, como sou jornalista, trabalhar na minha área sem um ótimo domínio do inglês, é algo improvável. Logo, para a turma dos não europeus, com raras exceções você será uma aspirante a nanny, cleaner, entregador de jornal, kitchen porter ou algo do tipo.

Por isso, deixe seu orgulho de lado e vista a camisa. Abrace a empreitada, todo trabalho é digno e tem muito a ensinar. No meu caso, deixei o Brasil no meu melhor momento profissional, depois de uma dura jornada coordenando a pesquisa de um programa de televisão. Embora puxado, eu amei a experiência, mas sempre soube que na carreira o inglês era meu calcanhar de Aquiles e cedo ou tarde ia fazer falta ou me fazer estagnar.

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Foi assim que passei a enviar currículos pra cuidar de crianças, algo que sei fazer e faço com gosto. Chame de nanny, au pair, childminder…Tem vários jeitos e com algumas diferenças no que a família acorda contigo, mas em geral, nada mais é que ser babá.

Por pouco mais de três meses, cuidei da Ella, 2 anos e meio, do George com 6 e do Ben de 9. Desde o primeiro dia nos demos bem, uma sintonia nossa. A rotina, era pesada, pega todo mundo na escola, leva pra natação, pro tennis, pro futebol gaélico, pra aula de música, volta, agora faz comida, dá o jantar, bedtime, caramba acabou a semana pra começar tudo outra vez na segunda seguinte. “George não bate na Ella”, “Ben deixa a Ella usar o tablet”, “George espera um pouquinho, o jantar tá quase pronto”. Um piscar de olhos e alguém pode cair, começar a brigar, tomar o brinquedo da mão do outro. Deixei de cuidar deles com a sensação de dever cumprido e consciência de que fiz o meu melhor.

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E desde julho cuido de uma “Snow White” de 4 anos, a Lucy e sua irmã, “Cinderella”, que na verdade se chama Anna e tem um ano. É que a Lucy tem o cabelinho da Branca de Neve, curtinho e escuro e lindos olhos verdes. Já a Anna é uma loirinha de olhos azuis. Nossa relação é outro feeling desses que não se explica. Lucy é super carinhosa, adora livros e esta na fase dos “porquês”, enquanto a Anna, é uma menininha muito fofa e super fácil de cuidar.

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É assim que de segunda a sexta, oito horas por dia, treino o meu inglês e vou descobrindo novas palavras e expressões pra inserir no meu vocabulário. Fora os exercícios de improvisação, porque a qualquer momento você pode ter que explicar pra criança, a Lucy no caso, qual a diferença entre reflexo e sombra, porque é importante dizer por favor ou porque a irmã puxa os cabelos dela. Tanto que as vezes sinto falta do Telekid, personagem do Marcelo Tas no Castelo Rá-Tim-Bum, pra explicar essa infindável série de “Why?”, “Why”, “…but why?”.

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Foi assim que quando vi, passaram-se seis meses, depois oito, depois doze. E nesse meio tempo sempre que pude viajei, fui pra lugares que nem imaginava que iria, e é um tal de sentir-se um grãozinho de areia nesse mundão de Deus. Descobri o prazer de andar de bike e sentir o vento na cara, fiz amigos brasileiros e de outros cantos do mundo, exercitei o respeito ao próximo ao conhecer outras culturas através de uma conversa, uma comida, um costume diferente do meu. Disse até logo pra algumas pessoas sem saber quando e se voltarei a vê-los, aprendi a dar mais valor pra um dia de sol, um dia no parque, um dia de vida.

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Pois bem, estar aqui há 12 meses é sobreviver a saudade, ao frio, as crises de insegurança, a frustração de muitas vezes não saber se comunicar ou fazer isso com um vocabulário muito inferior do que eu gostaria. Sair da zona de conforto te faz crescer anos em meses e é uma bagagem de vida imensurável. Obrigada Dublin, Irlanda.

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Short Trip: Stonehenge ou em busca das pedras gigantes

Quando Cristo nem pensava em nascer, alguns habitantes da Grã-Bretanha tiveram a ideia de carregar pedras, que variam de 4 a 25 toneladas, pra Salisbury, (aprendemos que pronuncia SALsbury, esquece a letra I) uma cidadezinha no sul de UK.  Formando assim círculos concêntricos de pedras chamado Stonehenge (stone: pedra e hencg: eixo, no inglês arcaico).

As famosas bonitinhas

As famosas bonitinhas

pequenininhas, encima da minha cabeça

pequenininhas, encima da minha cabeça

Pois bem, esse foi o destino que escolhemos pra viajar, Maria e eu, eu e Maria, minha Mary Poppins, roommate, abuelita e amiga. Chegamos no aeroporto de Bristol no dia 22 de junho pela manhã e de lá pegamos um trem para Salisbury , que leva cerca de uma hora. Assim que chegamos, descobrimos um pequeno detalhe. Excepcionalmente naquele dia nao havia ônibus turístico algum que nos levasse para conhecer Stonehenge.

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Eu e Mary

Eu e Mary

 

O motivo? O solstício de verão no hemisfério norte ocorre no dia 21 de junho, e é também o dia mais longo do ano. Nesse dia o Sol nasce exatamente sobre a pedra principal de Stonehenge, e por essa razão Druídas, Wiccans, neo-Hippies e simpatizantes tem como tradição reunirem-se para celebrar o fenômeno. A festa deste ano reuniu mais de 30 mil pessoas e durou até a manhã do dia 22 de junho, horas antes de nos darmos conta que chegamos tarde demais pra festa que nem sequer sabíamos.

solstício em Stonehenge

solstício em Stonehenge

“Que voy conocer Stonehenge o sí o sí”, bateu o pé a espanhola arretada. Na falta dos ônibus turísticos comuns que fazem o trajeto para Salisbury e Old Sarum ida e volta por £26, negociamos com um taxista por £40, ida e volta também, para conhecer os dois pontos.

Papo vai, papo vem, o taxista nos pergunta o que fazíamos em Dublin. Maria explicou sobre ela e eu resumi que tinha vindo com o objetivo de melhorar o inglês. ” Did you choose Dublin to learn English? Are you craaaaazy?”…Já comentei aqui a richa histórica entre britânicos e irlandeses, colonizadores e ex-colonizados, mas a brincadeira tinha muito mais a ver com a dificuldade que é entender o acento irish e fui obrigada a rir e concordar.

Ao lado da rodovia, depois de mais de 15 min de caminhada, pequenas pedrinhas vistas de longe tornaram-se as ilustres gigantes que são, quando finalmente pudemos vê-las de perto. É um exercício de perspectiva. E sem dúvida, um daqueles momentos em que voce se sente presenciando a História. Milhares de anos da formação daquele monumento até o segundo em que você se permitiu estar ali.

 

casal no caminho de Stonehenge

casal no caminho de Stonehenge

Eu e Maria

Eu e Maria

Maria no caminho para Stonehenge

Maria no caminho para Stonehenge

cachorrinho de um dos visitantes da noite anterior esperando seus donos acordarem pra ir embora

cachorrinho de um dos visitantes da noite anterior esperando seus donos acordarem pra ir embora

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Li depois da viagem um artigo do NY Times onde pesquisadores descobriram que as pedras não teriam sido escolhidas ao acaso, mas de acordo com o som que emitem, um ruído parecido com o som metálico de um sino. Não explica o mistério de porquê a estrutura foi construída, mas é um  indício de que as pedras podem ter sido colocadas ali para sediar festividades desde o princípio.

OLD SARUM e CATEDRAL DE SALISBURY

Depois de Stonehenge seguimos para Old Sarum, uma colina com resquícios de ocupação em Salisbury de 3000 a.C. Lá você encontra as ruínas de um castelo típico dos desenhos infantis quando uma vala circunda o topo do castelo e o único acesso é atraves de uma ponte. Já imaginei crocodilos medievais vigiando o que um dia foi o ponto de partida da cidade, mas se teve crocodilo ou não já não posso afirmar. Esse buraco ao redor do terreno foi na verdade feito pelos saxões para se defenderem das invasões de vikings e normânicos.

Old Sarum vista de cima

Old Sarum vista de cima

Ao lado do castelo estão as ruínas da antiga catedral, que lembram as marcações no chão do filme Dogville, como quem vê apenas demarcado no solo o que um dia teria sido o salão principal, outro cômodo, escadas de acesso. Como o dia estava lindo, aproveitamos pra descansar na sombra de uma das árvores na colina, até percebermos que estava infestada de aranhas e resolvemos seguir para a cidade.

Old Sarum

Old Sarum

Old Sarum

Old Sarum

Old Sarum

Old Sarum

Pedindo informação aqui e ali, chegamos na atual Catedral de Salisbury, famosa por conter a maior parte das 17 cópias da Carta Magna. Ok, se você assim como eu não é um historiador, talvez assim como eu também, não lembra o que é uma carta magna, então assumo minha ignorância e divido minha minipesquisinha contigo 😉 A Carta Magna é um documento que de modo geral impediu a continuidade do poder absoluto na Idade Média, reconhecendo que os reis estavam sujeitos à uma lei. Um pontapé para um processo que nos levaria a criação de constituições.

 

Eu e Maria na Catedral de Salisbuty

Eu e Maria na Catedral de Salisbuty

jardim da Catedral de Salisbury

jardim da Catedral de Salisbury

Saímos de Salisbury, floridinha, bonitinha com cara de cidade de interior e pessoas simpáticas que te dão informação sorrindo e vão embora sorrindo, obviamente apaixonadas. Uma delícia de viagem, de um destino que muito provavelmente não teria feito se não fosse minha abuelita a me propor quando tem seus siricuticos de querer viajar. Me leve no guarda-chuva sempre que quiser, Mary Poppins!

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Um probleminha físico

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Não é sempre que acontece, mas quando acontece sempre penso que flertezinho pedalando é muito bom.
Você tá lá na bike, preocupada com o sinal que vai abrir ou tranquila ouvindo as últimas músicas da playlist que montou e aí vem aquele olharzinho te dizer que tá ali também. Um pedestre atravessando a faixa, um ciclista no sentido oposto, com motorista comigo nunca aconteceu.
É sempre um jogo rápido, um exercício de desapego e bem mais despretensioso que outros tipos de flertada, porque os dois lados sabem que não passa do intervalo entre uma pedalada ou outra. Não há tempo pra papo furado, trocar telefone, whatsapp, saber de onde é, quais são os planos pro final de semana, o último filme que gostou e coisa e tal.
O flerte na bike são dois pares de olhos que se falam, em meio ao trânsito, sem mover os lábios. Um probleminha físico sobre dois corpos com velocidades diferentes, deslocando-se em seus trajetos, sabendo que possivelmente não será na mesma direção.

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