No balancê, balancê

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Eu, Ale, Carol e Miller no dia 13 de julho, vulgo meu aniversário

Acredito em horóscopo só quando leio coisas boas, mas resolvi chamar de inferno astral o momento em que como num efeito dominó, me vi sem emprego, sem lugar pra morar, vivendo as angústias de problemas de saúde com pessoas queridas, Madô (minha bike) com pneu furado e decidida a não engatar mais nenhuma marcha e um computador que me largou na mão de vez.

Aí quando bateu aquela vontade de me lamentar, pela primeira vez na minha vida talvez, juntando tudo o que chegar aos 25 deu pra aprender, levantei a cabeça e fui correr atrás de resolver o que podia e ser positiva pra o que não estava ao meu alcance solucionar. Conforme as coisas entravam nos eixos, a vontade de chorar e de me vitimizar foi passando ou talvez se transformando em risadas, piadas que passei a fazer sobre a arte de estar na merda.

Até que os vinte e tantos vieram, pra virar a página e celebrar minhas pequenas vitórias pessoais. Porque apesar de ter saído da casa dos meus pais ao 17, sempre vivi o vício da dependência emocional, colocando o peso dos meus problemas na conta dos outros e na hora do desespero, reagia me atirando no chão do supermercado da vida pra fazer o escarcéu que meus pais nunca me deixaram fazer durante a infância.

Tudo bem que certos defeitos a gente leva uma vida pra mudar um tiquinho, mas tenho pra mim, que sempre é tempo. Embora eu já tenha tentado justificar os meus “pondo na conta dos meus pais”, como também já tentei repetir frases do tipo “eu sou assim e que me aceitem”. Mas putz, como é bom mudar pra você, com toda a força que só o amor proprio é capaz.

Repito pra quem pergunta como vai a vida aqui, que é investimento, que o inglês é só uma das batalhas diárias, o mais bonito e árduo é o autoconhecimento, uma bagagem pessoal e que ninguém te tira. Repito porque na verdade, preciso reforçar isso até pra mim mesma as vezes. Afinal é duro pular fora da zona de conforto, mas tem seus ganhos.

bolinho na casa do Jorg

bolinho na casa do Jorg

Cresci anos em meses, descobri em mim forças que sempre achei bonitas nos outros, mas nunca achei que as veria em mim. Uma paz de espírito, um tal de estar bem comigo, de me perdoar pelas minhas falhas, sem deixar de fazer uma autoanálise. Por isso na minha retrospectiva pessoal, o Sérgio Chapelin poderia narrar que aos 25 eu já tinha aprendido a gostar de São Paulo, tinha feito o meu círculo social por lá e mantinha as boas e velhas amizades. Vivia um projeto a dois crente que era pra sempre, chegava em casa e era recebida pelos charminhos da Lola, minha gata, morria de medo de voltar pra casa a pé a noite, nao falava com meus pais, era angustiada, ansiosa e insegura.

Aos 26 eu descobri o mundo e como ele é bão, Sebastião! Mantenho as amizades que valem a pena, fiz novos e bons amigos alguns de outros cantos, sambando miudinho no inglês ou no espanhol. Voltei a falar com meus pais num processo de respeitar quem são e como são e sentir que isso é recíproco. Comprei uma bici achando que era só pra me deslocar e aprendi a amar o vento na cara e com ela volto a hora que quero sem medo e sem neuras. Encontro uns gatinhos soltos nas ruas de Dublin e faço um chamego pra acalmar a saudade da Lolinha,  e ainda nao fiz nem a metade das viagens que gostaria, mas tudo a seu tempo. A angústia, a ansiedade e a insegurança não me abandonaram, mas diminuíram, entramos numa política de boa convivência, ok vocês existem, mas sou eu que tô no controle.

E pondo tudo na balança, vejo que o saldo é positivo, porque mesmo depois dos perrengues passados, a escadinha rumos aos trinta, veio suave, veio bonita, fechando um ciclo, abrindo outro. Talvez seja esse período fora da minha zona de conforto, longe do meu país, do meu círculo social, da minha língua, da minha profissão, esse período fora, que eu não decidi quando termina e se termina…talvez seja eu, que decidi dar as caras, vir e me permitir esse aprendizado… só sei que tudo isso tem feito um bem, que suspeito estar vivendo o melhor momento da minha vida.

 

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3 thoughts on “No balancê, balancê

  1. Amiga, as vezes eu (este ser que vc sempre disse que admira) tb sou insegura, o segredo é pisar na garganta da insegurança, sambar na cara da angústia pra conseguir dar as maos pro sucesso. é foda pra caralho, mas ninguém evolui e crece sendo só felicidade o tempo todo!
    Beijos com saudades.

  2. Eu, que estava aí com você quando nasceu o post “25 JAN”, sempre acreditei que haveria um “22 JUL” e, não poderia ficar mais feliz por testemunhar isso acontecer. Adorei o fechamento. Desse jeito que você está “andando”, estará sempre vivendo a melhor fase da tua vida. Linda!

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