Short trip: Manchester, UK

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“Viajar é uma terapia”, a Maria me disse depois de me convidar pra ir pra Manchester. Já tens uns anos, que sempre perto do aniversário dela, ela escolhe um cidade nova pra conhecer.

Eu e Maria próximo a John Rylands Library

Eu e Maria próximo a John Rylands Library

Eu meio sem rumo, desnorteada pelos últimos acontecimentos, abracei a ideia como um presente a mim mesma, um afaguinho do tipo “minha filha vai, se joga” Manchester é polo da revolução industrial e doida por futebol, tudo o que a princípio fiquei sabendo. Nada que me fizesse pensar “arrá, taí a cidade que eu sempre quis conhecer!”, diferente de Paris, que logo mais vou por os pés. Mas por que não?
E fomos! O tempo prometia chuva e frio, mas tivemos a linda manhã de sol com um frio mais congelante que Dublin, mas se você tá na Europa no inverno, não pode esperar que seja diferente.
No aeroporto procuramos a The Station, onde tu tens acesso para os ônibus e trens que levam para cidade. Compramos nossos tickets ida e volta de trem, que deveriam custar cada £3,80, mas recebemos £5,00 de troco de uma nota de £10,00. Como só me dei conta depois, não sei se foi a moça que se enganou ou se tem algum tipo de abono por ser final de semana ou por termos comprado os de retorno.
Quando chegamos na estação Picadilly, um mar de gente falando um inglês todo tão bem pronunciado, que eu poderia ficar ali mesmo, só ouvindo conversa alheia!
No centro você encontra as linhas 1, 2 e 3 de ônibus que te levam gratuitamente para outros pontos turísticos do centro. Bem pertinho tem uma espécie de loja voltada aos turistas que te fornece um mapa gratuito, sugestões de lugares pra visitar e claro tem lá uns souvernirs pra vender.
Aí montamos nosso roteirinho de acordo com as distâncias e também com os lugares que havíamos lido nos últimos dias e nós pareceram interessantes!
A Art Gallery Manchester foi nosso primeiro destino e o que mais amei. Me larga num museu de arte que eu esqueço o mundo! Tantos artistas britânicos desconhecidos pra mim e com um trabalho incrível! Retratos, paisagens e algumas pinturas de guerras nórdicas em um mar congelante, que não é nada parecido com as pinturas renascentistas que geralmente museus de pintura clássica tem a todo.
Aí bato o olho num Banksy, ao lado de um quadro maravilhoso com uma moldura maior que a palma da mão, tava ali um Banksy do garoto que atira um buque de flores como quem jogasse uma granada. Tudo bem é só um lambe-lambe, mas pra mim teve um peso enorme. É a street art sendo considerada arte assim como Banksy tanto defende e assim como deveria ser vista. É o cara que tem um baita trabalho de contestação e que me inspirou fazer minha primeira tatuagem. Tá lá botando banca no Art Gallery. Imagina em Londres, onde ele realmente tá espalhado pela rua? My gooood!

 
Imagem 416
 

Dali a fome bateu mais forte e fomos num china comer um chinaná onde todos falam chinaná! Sim, porque como uma liberdade dos chineses, Manchester tem sua Chinatown. Uma coca e um salmão com teriaki acompanhado de arroz com missoshiru por £11,00. Aliás a cidade não é cara, e a libra que é mais valorizada que o euro, pelo que vi me pareceu bem acessível no sentido que produtos que eu e a Maria consumimos em Dublin estavam mais baratos em libra que em euro.
Aí seguimos pra John Rylands Library, com seus livros centenários, suas prensas recriando o tempo em que fazer um livro era um trabalho descomunal e seu prédio maravilhoso, onde até o banheiro foi restaurado como era antigamente.
Dali fomos pro People’s History Museum, que é super interativo, mas tem uma abordagem bem política, o que cansa um pouco, confesso.

John Rylands Library

John Rylands Library

Pegamos um ônibus e fomos parar na Manchester Cathedral. Posso ter todas as minhas ressalvas com a Igreja Católica, seus dogmas opressores e tudo mais, mas suas igrejas são em geral uma imersão a uma arte, uma arquitetura incrível. O órgão ensaiava para uma missa que ocorreria no dia seguinte, errava, começava outra vez e eu me sentia tão em paz com aquele som ecoando na igreja. Uma sensação de tranquilidade, de paz interior, de estar de bem consigo mesma, grata por ter me trazido até ali.

Manchester Cathedral

Manchester Cathedral

vitrais e portão de entrada da Manchester Cathedral

vitrais e portão de entrada da Manchester Cathedral

Ainda deu tempo de dar um pulinho no National Football Museum, onde confesso, entrei mais pra fazer pipi. Quem me conhece sabe que só torço pelo Brasil, que só acompanho Copa e olhe lá que esse ano justo a que acontece no meu país, pra mim pouco faz como tanto fez. Mas ok, meus respeitos a quem ama futebol, é que pra completar o museu é bem o estilinho do Museu do Futebol de São Paulo e só tem foto do David Beckham. Preguiça infinita quando me lembro que tem um vídeo do Beckham dormindo durante uma concentração! É metrossexualismo demais pra minha cabeça.
E aí você pisca o olho e tá na hora de voltar. Pega o trem de volta ao aeroporto, e só então percebe o quanto esse exercício de se desconectar de si e descobrir o mundo não tem preço!
Sigo transformando dor em força, é um luta constante, que desgasta, mas sem dúvida ajuda a deixar o passado no seu devido lugar. E a aceitar as surpresas da vida, eu que como tantos outros meros mortais sofro a ansiedade de sempre querer saber o final da história, onde o caminho vai dar, venho aprendendo a aproveitar a paisagem, a deixar a vida cumprir seu papel.
De volta a Dublin, minha sexta cidade, a terceira que vivo sozinha, a primeira que me coloco em primeiro lugar com todo o carinho do mundo.

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